domingo, 8 de junho de 2008

Porquê usar piano em Bach?

Responde Glenn Gould:

Glenn Gould - Variações Goldberg

Dedos, dedos, dedos... Aqui fica um vídeo de boa qualidade, em quatro partes: a primeira tem a aria e as variações 1 a 7; a segunda as variações 8 a 14; a terceira tem apenas a variação 25; e a quarta tem as variações 26 a 30 e aria da capo.

Este é o Gould maduro, o da segunda gravação da obra.

Faltam as variações 15 a 24, mas - que diabo! - não há mundos perfeitos!

(Actualização: já depois de escrecer este texto, o leitor jvn enviou a sessão completa num só vídeo, que aqui fica, incluindo as variações em falta. Agradeço-lhe muito. Afinal, há mundos um pouco mais perfeitos.)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Vers la Flamme, de Scriabin

"Very difficult, very difficult", diz Horowitz...

Especial atenção aos últimos três minutos.


sábado, 1 de março de 2008

Bom fim-de-semana...

...com esta gravação de 1919 em que o lendário flautista Philippe Gaubert toca a conhecida Badinerie da suite BWV 1067 e enconsta a um canto boa parte das gerações seguintes.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Danças Húngaras de Brahms - Versão para piano - Katia e Marielle Labèque

Estou a ouvir um disco muito bom, que não ouvia há uns tempos: as danças húngaras de Brahms, numa adaptação para piano a quatro mãos. Há aqui muito ritmo, muita técnica e uma indisfarçável alegria a tocar. A interpretação é das gémeas Labèque, Katia e Marielle (o que explica o ritmo, a técnica e a alegria), cujo site pode ser encontrado aqui.
E falando em danças húngaras de Brahms, já que não conheço nenhum vídeo online das irmãs Labèque a interpretá-las, podemos ficar com uma outra versão, para piano e violino. Para que não fiquem a perder, escolhi uma tocada por Yehudi Menuhin. Aqui fica a 5.ª dança, talvez a mais conhecida.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Master classes #7

Para terminar esta série sobre master classes, ficamos com Rubinstein e a primeira balada de Chopin.














quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Master classes #6

Maxim Vengerov, numa master class sobre o "Capricho Basco", de Sarasate.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Master classes #5 - Agora, uma de fazer cair o queixo!

Uma master class completa (são duas horas, repartidas por 14 vídeos) de Jorge Bolet sobre o 3.º concerto de Rachmaninov. É preciso dizer mais?



























terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Master classes #4

Regresso às master classes, regresso a Bach e regresso às suites para violoncelo. Agora a aula é sobre o Prelúdio da primeira suite, e o mestre é Paul Tortelier. Como bónus, interpreta o dito Prelúdio, no final do vídeo.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Master classes #3

Continuando a série de master classes memoráveis, aqui fica uma de Andrés Segovia, em 1965.



domingo, 27 de janeiro de 2008

Master classes #2

Ainda estão numa de master classes memoráveis? Pois continuemos! Preparei uma série de 7, escolhidas a dedo.
Esta aqui, que é a segunda, traz-nos Pablo Casals ensinando a terceira suite para violoncelo de Bach. O som não é o melhor, mas garanto que rapidamente se esquecerão disso.
"You must know that the purists are scandalised because I do that. It seems that in the Bach time the staccato didn't exist. Say the purists... But don't be afraid."
Publicarei as próximas durante esta semana.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Beethoven - Sonata "ao luar"... ou talvez não - Master class de András Schiff

Talvez o amigo leitor saiba que a sonata op. 27, n.º 2, em dó sustenido menor, de Beethoven, não foi por ele chamada "sonata ao luar". O nome, que pegou bem, como se sabe, talvez tenha influenciado muitos sobre o sentido a dar à interpretação.
Mas ainda que saiba isto, há muito mais para ouvir nestes 27 minutos de uma master class de András Schiff sobre a dita sonata "ao luar". É um "vídeo" do Youtube, mas só tem áudio. E vale muito a pena.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Alexander Romanovsky

Alexander Romanovsky é um pianista de origem ucraniana, ainda jovem. Dele sei apenas que ganhou o Concurso Busoni em 2001 e que lançou, em Outubro de 2007, o seu primeiro disco numa editora de peso - a Decca, neste caso.
Não tenho ainda o disco (conto suprir a falta em breve), mas estou muito curioso, depois de espreitar uma interpretação sua da conhecida Badinerie da Suite BWV 1067, de Bach, num arranjo para piano que não tinha ouvido antes (será do próprio pianista?) e que me deu vontade de conhecer mais.
Aqui fica, então, uma versão da Badinerie muito... badinée.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um presente de Natal


Neste Natal, entre outros presentes, recebi uma estonteante Missa em Si menor, de J. S. Bach, Bwv 232, por Masaaki Suzuki e o Bach Collegium Japan.
Tem críticas muito boas (v.
Times Online e Classics Today, por exemplo), e, diga-se, inteiramente justas.
Tendo já ouvido uma boa parte
das mais conhecidas versões da obra, não hesito ao afirmar que esta ombreia com as melhores. É, aliás, uma forte candidata ao primeiro lugar, embora, na verdade, quando a luta está (para mim) entre Suzuki, Leonhardt, Herreweghe e Gardiner, podemos facilmente resvalar o critério mais para o gosto do que para a qualidade.

Não há dúvida: Masaaki Suzuki é muito, muito bom. Como os melómanos atentos saberão, está a gravar a integral das cantatas de Bach (vai no volume 37, parecendo-me que ultrapassará os 50) e o que ouvi, até agora, deste grupo de gravações é, por regra, de primeiríssima escolha.

A orquestra toca belissimamente, mas os solistas são de cortar a respiração (neste disco, o Super Audio vale a pena).

Há quem aponte a Suzuki um estilo demasiado melífluo, o que não me parece ajustado.

É "grande", sólido, coerente e belissimamente executado. É o que há a saber. O resto só se percebe ouvindo.

sábado, 24 de novembro de 2007

Scott Ross

Scott Ross foi um grande cravista, prematuramente falecido, em 1989, com apenas 38 anos.
Nascido nos Estados Unidos, viveu a maior parte da vida em França.
Se mais nada fosse, sempre lhe ficaríamos a dever a primeira gravação, pela mesma pessoa, da integral das sonatas de Scarlatti (555 peças), que demorou 18 meses, em pareceria com a Radio France (foram mais de 8000 takes, ao que dizem).
Aqui fica a sonata K209, tocada pelo próprio, num cravo fabricado por David Ley (famoso construtor de cravos, do qual pode ler-se uma entrevista aqui).



O relato do último ano de vida de Scott Ross é de registar. Doente, com HIV e outros males que se lhe associam, não quis parar. Aqui fica, retirada desta fonte, uma transcrição da sua biografia, escrita por Michel Proulx, nessa parte:

"From then on, he did nothing but tour and record, and from records to concerts, rapidly becoming the most media covered harpsichordist, to the point of attracting to the instrument, thanks to his performance, a variegated public of which a good part should never have got interested in the harpsichord but for him.

But already there was an urgency. When Catherine Perrin saw him in 1984, at a time when the rumour about AIDS was swelling in a terrifying rumble, he confided with her of his fears. He actually had had bronchitis, the winter before, which had degenerated in pneumonia, and knowing that this was one of the associated diseases, he said he was “mort de trouille” (he got the wind up). And he added that he didn’t want to do the test because he was sure to get confirmation of his fears. There may lie part of the reason for the intense activity which he spread during his last years.

In April 1989, he went to Rome, at the Villa Médicis, where he gave a masterclass for the French Television. One can see him very thinned down and weakened by the attacks of the disease. As he had no Social Security (Medicare), he did not take care of himself well, and it is also possible that he saw no good reason for looking after himself correctly. I have been told that he took whatever he could find as medicine, and one might speculate that (but what is it that couldn’t be done with ‘ifs’) maybe he would have survived, with good medical care.

Actually, he was an illegal alien for the French administration who wanted to have him expelled, and would have, had it not been for the intervention of some friends of him, of which some influent members of the Regional Council for Culture, who represented the Prefect how silly he would have looked for the media, if this happened.

In the course of his last months, he was looked after by his friends, especially David Ley, harpsichord maker, who had built his second double manual instrument, and Monique Davos, who had been an assistant director for the first Festival de Radio-France et de Montpelier, in 1983. According to testimonials, there was a sort of competition between both these persons for the care of Scott, and Mrs Davos was an advocate of the use of intensive medication. It seems that this was the cause of a Homeric struggle between her and those who wished him to die in peace. It was James Ross Jr. who finally brought Scott back to Assas, by the end of May.

On the following June 13, he passed away in his little house in Assas. His brother James, who had insisted upon coming to see him, assisted him right at the end. As, obviously, Scott had prepared nothing for the circumstances, it is James who took care of everything and it is he who asked for the rights of his records to be paid to the profit of an organization devised to help young harpsichordists. Unfortunately, I could find no trace of that organization, if ever it existed, nor could I trace back Scott’s brother who seems to have vanished in the haze.

After the cremation at the Grammont Funeral Center in Montpelier, Scott’s ashes were dispersed over the village of Assas from a small aircraft, according to his last wishes."

Horowitz toca a "Fantasia Carmen"

E, se calhar, não vale a pena dizer mais nada.

Ando a ouvir isto (*)


E está um espanto!

(*) Esta é a capa do vinil, na primeira edição, mas a gravação está nas edições económicas da EMI Classics.

Sai outro 3.º concerto de Bartók!

Deixei aqui, há tempos, uma gravação fresquíssima (de 2007) de Martha Argerich a tocar o 3.º concerto de Bartók.
Aqui fica, agora, uma outra versão do mesmo concerto de que gosto muito (embora não seja a minha favorita), com o pianista
Zoltán Kocsis. O maestro é János Ferencsik (não reconheço a orquestra).



quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Toca a acordar...

...de algum tempo sem posts!
E, para acordar, nada melhor do que virtuosismo sem travões.
Maxim Vengerov toca "La Ronde des Lutins", de Antonio Bazzini. Segurem-se na parte final...


sábado, 22 de setembro de 2007

Foi você que perguntou...

...se Martha Argerich continua a ser uma pianista de topo?
Para sabê-lo, nada melhor do que vê-la e ouvi-la numa gravação deste ano (aconteceu no Japão, a 14 de Abril, no Festival que organiza, todos os anos, em Beppu, apoiado pela sua fundação), tocando o concerto para piano n.º 3 de Béla Bartók. Acompanha-a a Toho Gakuen Orchestra, dirigida por Yuri Bashmet.
O vídeo pode ser encontrado aqui (com muito
melhor qualidade de som e downoadable!) e também, no YouTube, em três partes, que abaixo se apresentam, aqui, aqui e aqui.